Ainda há catástrofes naturais?

Quanto a Günther Anders, ao regressar de Hiroxima em 1958 escrevia: «O carácter inverosímil da situação é de cortar o fôlego. No mesmo instante em que o mundo se torna apocalíptico, e isto por culpa nossa, oferece a imagem… de um paraíso habitado por assassinos sem maldade e por vítimas sem ódio. Em nenhuma parte há traços de maldade, não há senão escombros.» E Anders anuncia: «A guerra por teleassassinato que aí vem será a guerra mais despojada de ódio que alguma vez aconteceu na história […] esta ausência de ódio será a ausência de ódio mais inumana que alguma vez existiu; ausência de ódio e ausência de escrúpulos serão uma só.»

Dupuy em Ainda há catástrofes naturais?

Ao ler o artigo acima consegui entender melhor Dupuy. Quero até me redimir de um préconceito velado em um post  anterior. Livrar-se do conceito de uma moral absoluta, pregada pelas religiões, é um parto para quase toda uma vida. Mas outra moral absoluta subliminarmente se impõe nos tempos atuais: a ciência. Um respeito dogmático por tudo que é rotulado como ” científico” é mais difícil de se contrapor. A ciência e seu braço tecnológico, a tecno-ciência, é a nova religião do homem massa de Gasset.

Outro conceito que clareou minha mente foi o do “mal sem ódio”. Uma idéia fantasiosa me ocorreu. Imaginar um grupo de garotos jogando video games de guerra enquanto seus gestos exímios comandavam uma guerra real, sem que o saibam. Nenhum ódio seria necessário. Só a técnica e a vontade do lúdico. A competição neutra de um game.

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