O Universo Elegante

Acabei de ler o livro de Brian Greene. Foi uma experiência interessante que me atualizou um pouco a respeito do estado atual da Física teórica (da época em que o livro foi escrito, pelo menos). Nos meus tempos de estudante de Engenharia andei fazendo umas incursões na biblioteca de faculdade para matar a minha curiosidade sobre a Relatividade Geral e Física Quântica. A teoria da relatividade me pareceu mais palatável na época do que a outra, apesar de ter que me embrenhar pelo cálculo tensorial. Da Física Quántica não estudei quase nada. Era uma coisa estranha quando comparada com a beleza da relatividade. É claro que o livro de Greene é uma obra de vulgarização ao contrário do que andei olhando no passado em obras com rigor matemático.

Minha impressão principal é uma espécie de estupefação diante de uma teoria das cordas ou da p-branas (teoria M) que só poderiam ser verificadas experimentalmente com um acelerador de partículas de altíssima energia (inviável para a tecnologia atual) e com dimensões do tamanho do universo conhecido. A Física ficou parecendo mais uma metafísica. A lembrança das variáveis ocultas de Einstein também me veio à mente. Muita fé, quase que religiosa, parece orientar a disposição dos físicos (o que aparece explicitamente em algumas frases do autor). A supersimetria, por exemplo, parece ser um dogma. Os achados parecem fortuitos como encontrar as equações de Maxwel, do eletromagnetismo, ao se acrescentar uma dimensão ao espaço. As superfícies de Calabi Yao, que descrevem algumas das 11 dimensões (as que são microscopicamente recurvadas) então parecem arte moderna de vanguarda. É claro que a ênfase de uma obra de vulgarização está mais em tentar transmitir um certo entusiasmo que é causado pelas descobertas teóricas de coerências e consistências surpreendentes mas ao mesmo tempo ansiosamente esperadas. O entusiasmo que pretende contagiar os leitores também parece inscrever a obra, e outras similares, num contexto propagandístico. Lembrei de um comentário de um professor de matemática a respeito do poderoso lobby dos físicos que conseguem convencer os governos a fornecer verbas fabulosas para projetos tais como pesquisa de vida extra terrestre ou aceleradores de partículas enormes de alta energia. As tecnologias que são desenvolvidas em torno desses projetos é claro que podem se tornar úteis como já aconteceu com a pesquisa espacial mas mesmo sem querer aderir a um tipo obscurantismo fiquei bastante intrigado e desejoso de conhecer os argumentos usados para convencer governos a investir em tais projetos.

Veja o filme sobre o livro.

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