Deus , um delírio (God Delusion), de Richard Dawkins

Terminei de ler o novo livro de Dawkins.

Há uma discussão sobre a tradução do título. A palavra delírio sugere uma mente delirante sonhando Deus. ‘Deus: uma desilusão’ talvez seja melhor por expressar bem o sentimento de desilusão de Dawkins com a religião e seu fundamento: Deus.

Dawkins usa a arma que sabe manejar bem: a ciência, em geral, e a biologia e a teoria da evolução de Darwin. E como maneja bem! O resultado é um deleitamento com os seus escritos, claros e diretos, de vulgarização da ciência e da teoria da evolução.

Dawkins é acusado de religiosidade com razão se o que se quer entender por religiosidade for o ‘religare’ citado por Rubem Alves. Encantar-se com a natureza, mesmo que com os olhos da razão, é ‘religare’. Mas evidentemente Dawkins não é religioso. A acusação é mais uma tática para confundir o seu libelo com o surgimento de somente mais uma nova seita. Seria mais um profeta de apenas mais uma nova religião a se combater com a verdade das religiões pré-existentes. Colocado assim, na mesma vala comum, o libelo de Dawkins, a sua ‘fúria sagrada’, perderia o impacto e a capacidade de fazer pensar. E é só isso que Dawkins pede que façamos. Pensar por nós mesmos. E concluir e seguir o que quiser, por quanto tempo quiser e só quando quiser. Simples assim.

Há um bom tempo Nietzsche relativizou a moral sem negar seu valor mas prescrevendo que uma nova moral surgirá para o novo além-homem, construída por ele e para ele, tão provisória enquanto necessária e enaltecedora da vida.

Espiritualidade

“Quero fazer os poemas das coisas materiais,
pois imagino que esses hão de ser
os poemas mais espirituais.
E farei os poemas do meu corpo
E do que há de mortal.
Pois acredito que eles me trarão
Os poemas da alma e da imortalidade.”
E à raça humana eu digo:
-Não seja curiosa a respeito de Deus,
pois eu sou curioso sobre todas as coisas
e não sou curioso a respeito de Deus.
Não há palavra capaz de dizer
Quanto eu me sinto em paz
Perante Deus e a morte.
Escuto e vejo Deus em todos os objetos,
Embora de Deus mesmo eu não entenda
Nem um pouquinho…
Ora, quem acha que um milagre alguma coisa demais?
Por mim, de nada sei que não sejam milagres…
Cada momento de luz ou de treva
É para mim um milagre,
Milagre cada polegada cúbica de espaço,
Cada metro quadrado de superfície
Da terra está cheio de milagres
E cada pedaço do seu interior
Está apinhado de milagres.
O mar é para mim um milagre sem fim:
Os peixes nadando, as pedras,
O movimento das ondas,
Os navios que vão com homens dentro
– existirão milagres mais estranhos?” (Walt Whitman)

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