A mulher que escreveu a Bíblia

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Certa época resolvi comprar alguns exemplares da coleção ‘Grandes Escritores da Atualidade’. Alguns livros nem li. Li ‘A Carta Esférica’ e gostei apenas de algumas informações sobre náutica mas achei o estilo do autor um pouco forçado. Fiquei com a impressão de que os títulos escolhidos eram encalhes que estavam sendo desovados. Parei de comprar. Mas um dos títulos me encantou e a todos que empresto gostam muito. É ‘A mulher que escreveu a Bíblia’, de Moacyr Scliar. Estou relendo desde ontem e já estou na página 100. Scliar teve como um dos objetivos nesta obra, além de desenvolver irônicamente a conjectura de Harold Bloom, facilitar a leitura ao máximo. E conseguiu.

Na primeira leitura que fiz me impressionou e entusiasmou a fluência do texto. Nessa segunda leitura já observei que algumas idas ao dicionário poderiam ser necessárias aos mais rigorosos embora perfeitamente dispensáveis pela irrelevância de conhecer todos os termos com exatidão já que o contexto muito poderoso desse livro, que leva à leitura fluente e ansiosa, não deixa espaço para tais incursões ao léxico. Chama a atenção também a linguagem ‘moderna’ da personagem que narra a sua ‘vida passada’ o que representa uma ironia e constatação que as histórias sobre vidas passadas são projeções do presente na liberdade criativa possibilitada pelo ‘passado’ insondável e não registrado. A ficção científica cria na mesma liberdade, só que em relação ao futuro. Futuro e passado são interpretações de interpretações. Nem mesmo o presente pode escapar, na sua fugacidade, das interpretações e da criatividade que são aplicadas ao futuro e ao passado. Basta entrar em contato com o noticiário que pressupõe fatos mas deixa entrever miríades de interpretações e visões de quem escreve e de quem lê.

Veja alguns artigos (e um vídeo) na Internet que falam de Scliar e do livro:

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2 Respostas para “A mulher que escreveu a Bíblia

  1. Pingback: Peça de teatro: A mulher que escreveu a Bíblia « Crab Log

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