Um colega falou-me do Sempé. Ótimo!
Veja também: Sempé e a grandiloquência de um sorriso leve.
No Google imagens tem mais.
Mais Sempé:

“Eu lhe disse para tirar o seu traje antes de repreendê-los!”
Um colega falou-me do Sempé. Ótimo!
Veja também: Sempé e a grandiloquência de um sorriso leve.
No Google imagens tem mais.
Mais Sempé:

“Eu lhe disse para tirar o seu traje antes de repreendê-los!”

História do Pensamento Chinês, Anne Cheng

Meditação em Movimento, Paul Crompton
O pensamento chinês e o seu entrelaçamento com os estilos de arte marcial sempre me intrigou. No livro do Crompton há até um trecho em que um erudito chinês fica espantado com o fato de um artista marcial que ele conheceu ter tanta cultura. Artes como a caligrafia adestram o pulso para a esgrima e exercícios repetitivos até limites muito além do que é normal para a paciência ocidental preparam para a excelência no combate. Com os livros que comprei espero aumentar a minha compreensão desse entrelaçamento em meu próprio proveito no aprendizado do Tai Ji e de uma introdução ao Ba Gua Zhang. Li recentemente o livro História da China, de John King, e, apesar do enfoque histórico ser muito interessante eu tendo a preferir abordagens mais filosóficas. As artes na China tem sempre um caráter de integração entre a teoria e a prática que me agrada. Anne Cheng cita que uma das maiores preocupações de Confúncio versava sobre que o discurso nunca deveria exceder o que era necessário para a ação.
Categorias: Artes marciais · Citação · Cultura · Esporte · Filosofia · Livro

No post Piada Criacionista citei outro post no Dragão da Garagem que mostra como a natureza é cruel. Uma das crueldades mais elaboradas da “mãe natureza” está no parasitismo da vespa em relação à aranha.
Veja em
Crueldade parace ser um conceito antropomórfico para o qual a nattureza “não está nem aí”.
Categorias: Animação & Cinema · Citação · Ciência · Vídeo · post-citação

Eu não quero somente uma faceta da vida. Eu não quero a mediocridade destilada em pequenas quantidades. Eu quero o imediatismo de uma derrota brilhante no xadrez sofrida para um amigo com o qual compartilho dezenas de horas de conversas entre jogos, estratégia definida em anos e não somente as trocas rápidas e fugidias dentro de uma aplicação Facebook. Eu quero as discussões intensas sobre linguagens de programação esotéricas cunhadas em um des/entendimento mútuo e não somente opiniões (mal) explicadas em cento e quarenta caracteres ou menos. Eu quero o entendimento da transcendência que você vê no jazz e eu vejo no blues, refinada por notas dedilhadas aqui e ali, pelo retorno de uma sessão tocante entre mestres de outrora e do presente, e não por um endereço Web, uma experiência por proxy.
E, acima de tudo, eu quero o tempo necessário para os demônios que me assombram.
Ronaldo Melo Ferraz
Leia mais em A pobreza das conexões.

O veleiro, o olhar distante, os passeios solitários no outono, o relativo silêncio – é o paraiso.
Albert Einstein, 1939
Veja também Albert Einstein’s “Tümmler”.
Fonte: Revista Velejar, número 39, página 20.

Diante de tanta hipocrisia sobre as drogas e seu combate o texto de Artaud dá o que pensar (trechos):
Deixemos que os perdidos se percam: temos mais o que fazer que tentar uma recuperação impossível e ademais inútil, odiosa e prejudicial. Enquanto não conseguirmos suprimir qualquer uma das causas do desespero humano, não teremos o direito de tentar a supressão dos meios pelos quais o homem tenta se livrar do desespero.
Veja mais em:
Categorias: Citação
“É, suponho que é em mim, como um dos representantes de nós, que devo procurar por que esta doendo a morte de um facínora. E por que é que mais me adianta contar os treze tiros que mataram Mineirinho do que os seus crimes. Perguntei a minha cozinheira o que pensava sobre o assunto. Vi no seu rosto a pequena convulsão de um conflito, o mal-estar de não entender o que se sente, o de precisar trair sensações contraditórias por não saber como harmonizá-las. Fatos irredutíveis, mas revolta irredutível também, a violenta compaixão da revolta. Sentir-se dividido na própria perplexidade diante de não poder esquecer que Mineirinho era perigoso e já matara demais; e no entanto nós o queríamos vivo. A cozinheira se fechou um pouco, vendo-me talvez como a justiça que se vinga. Com alguma raiva de mim, que estava mexendo na sua alma, respondeu fria: ‘O que eu sinto não serve para se dizer. Quem não sabe que Mineirinho era criminoso? Mas tenho certeza de que ele se salvou e já entrou no Céu.’ Respondi-lhe que ‘mais do que muita gente que não matou’.Por que? No entanto a primeira lei, a que protege corpo e vida insubstituíveis, é a de que não matarás. Ela é a minha maior garantia: assim não me matam, porque eu não quero morrer, e assim não me deixam matar, porque ter matado será a escuridão para mim.
Esta é a lei. Mas há alguma coisa que, se me fez ouvir o primeiro tiro com um alívio de segurança, no terceiro me deixa alerta, no quarto desassossegada, o quinto e o sexto me cobrem de vergonha, o sétimo e o oitavo eu ouço com o coração batendo de horror, no nono e no décimo minha boca está trêmula, no décimo primeiro digo em espanto o nome de Deus, no décimo segundo chamo meu irmão. O décimo terceiro tiro me assassina – porquê eu sou o outro. Porque eu quero ser o outro.
Essa justiça que vela meu sono, eu a repudio, humilhada por precisar dela. Enquanto isso durmo e falsamente me salvo. Nós, os sonsos essenciais. Para que minha casa funcione, exijo de mim como primeiro dever que eu seja sonsa, que eu não exerça a minha revolta e o meu amor, guardados. Se eu não for sonsa, minha casa estremece. Eu devo ter esquecido que embaixo da casa está o terreno, o chão onde nova casa poderia ser erguida. Enquanto isso dormimos e falsamente nos salvamos. Até que treze tiros nos acordem, e com horror digo tarde demais – vinte e oito anos depois que Mineirinho nasceu – que ao homem acuado, que a esse não nos matem. Porque sei que ele é o meu erro. E de uma vida inteira, por Deus, o que se salva às vezes é apenas o erro, e eu sei que não nos salvaremos enquanto nosso erro não nos for preciso. Meu erro é o meu espelho, onde vejo o que em silêncio eu fiz de um homem. Meu erro é o modo como vi a vida se abrir na sua carne e me espantei, e vi a matéria de vida, placenta e sangue, a lama viva. Em Mineirinho se rebentou o meu modo de viver. Como não amá-lo, se ele viveu até o décimo terceiro tiro o que eu dormia? Sua assustada violência. Sua violência inocente – não nas conseqüências, mas em si inocente como a de um filho de quem o pai não tomou conta. Tudo o que nele foi violência é em nós furtivo, e um evita o olhar do outro para não corrermos o risco de nos entendermos. Para que a casa não estremeça. A violência rebentada em Mineirinho que só outra mão de homem, a mão da esperança, pousando sobre sua cabeça aturdida e doente, poderia aplacar e fazer com que seus olhos surpreendidos se erguessem e enfim se enchessem de lágrimas. Só depois que um homem é encontrado inerte no chão, sem o gorro e sem os sapatos, vejo que esqueci de lhe ter dito: também eu.
Eu não quero esta casa. Quero uma justiça que tivesse dado chance a uma coisa pura e cheia de desamparo e Mineirinho – essa coisa que move montanhas e é a mesma que o faz gostar ‘feito doido’ de uma mulher, e a mesma que o levou a passar por porta tão estreita que dilacera a nudez; é uma coisa que em nós é tão intensa e límpida como uma grama perigosa de radium, essa coisa é um grão de vida que se for pisado se transforma em algo ameaçador – em amor pisado; essa coisa, que em Mineirinho se tornou punhal, é a mesma que em mim faz com que eu dê água a outro homem, não porque eu tenha água, mas porque, também eu, sei o que é sede; e também eu, não me perdi, experimentei a perdição. A justiça prévia, essa não me envergonharia. Já era tempo de, com ironia ou não, sermos mais divinos; se adivinhamos o que seria a bondade de Deus é porquê adivinhamos em nós a bondade, aquela que vê o homem antes de ele ser um doente do crime . Continuo, porém, esperando que Deus seja o pai, quando sei que um homem pode ser o pai de outro homem. E continuo a morar na casa fraca. Essa casa, cuja porta protetora eu tranco tão bem, essa casa não resistirá à primeira ventania que fará voar pelos ares uma porta trancada. Mas ela está de pé, e Mineirinho viveu por mim a raiva, enquanto eu tive calma. Foi fuzilado na sua força desorientada, enquanto um deus fabricado no último instante abençoa às pressas a minha maldade organizada e a minha justiça estupidificada: o que sustenta as paredes de minha casa é a certeza de que sempre me justificarei, meus amigos não me justificarão, mas meus inimigos que são os meus cúmplices, esses me cumprimentarão; o que me sustenta é saber que sempre fabricarei um deus à imagem do que eu precisar para dormir tranqüila, e que os outros furtivamente fingirão que estamos todos certos e que nada há a fazer. Tudo isso, sim, pois somos os sonsos essenciais, baluartes de alguma coisa. E sobretudo procurar não entender.Porque quem entende desorganiza. Há alguma coisa em nós que desorganizaria tudo – uma coisa que entende. Essa coisa que fica muda diante do homem sem o gorro e sem os sapatos, e para tê-los ele roubou e matou; e fica muda diante do S. Jorge de ouro e diamantes. Essa alguma coisa muita séria em mim fica ainda mais séria diante do homem metralhado. Essa alguma coisa é o assassino em mim? Não, é o desespero em nós. Feito doidos, nós o conhecemos, a esse homem morto onde a grama de radium se incendiara. Mas só feito doidos, e não como sonsos, o conhecemos. É como doido que entro pela vida que tantas vezes não tem porta, e como doido compreendo o que é perigoso compreender, e como doido é que sinto o amor profundo, aquele que se confirma quando vejo que o radium se irradiará de qualquer modo, se não for pela confiança, pela esperança e pelo amor, então miseravelmente pela doente coragem de destruição. Se eu não fosse doido, eu seria oitocentos policiais com oitocentas metralhadoras, e esta seria a minha honorabilidade.
Até que viesse uma justiça um pouco mais doida. Uma que levasse em conta que todos temos que falar por um homem que se desesperou porque neste a fala humana já falhou, ele já é tão mudo que só o bruto grito desarticulado serve de sinalização. Uma justiça prévia que se lembrasse de que nossa grande luta é a do medo, e que um homem que mata muito é porque teve muito medo. Sobretudo uma justiça que se olhasse a si própria, e que visse que nós todos, lama viva, somos escuros, e por isso nem mesmo a maldade de um homem pode ser entregue à maldade de outro homem: para que este não possa cometer livre e aprovadamente um crime de fuzilamento. Uma justiça que não se esqueça de que nós todos somos perigosos, e que na hora em que o justiceiro mata, ele não está mais nos protegendo nem querendo eliminar um criminoso, ele está cometendo o seu crime particular, um longamente guardado. Na hora de matar um criminoso – nesse instante estásendo morto um inocente. Não, não é que eu queira o sublime, nem as coisas que foram se tornando as palavras que me fazem dormir tranqüila, mistura de perdão, de caridade vaga, nós que nos refugiamos no abstrato.
O que eu quero é muito mais áspero e mais difícil: quero o terreno”.
Clarice Lispector, 1978
Categorias: Citação

Quem atingiu dalgum modo a liberdade da razão não se pode considerar na terra outra coisa que um Peregrino, embora não um viajante rumando para uma meta final – pois esta não existe. Contemplará e terá os olhos abertos para tudo que acontece no mundo; não ligará o coração em definitivo a nada de único; deve haver nele algo erradio, pois a sua alegria está no mutável e no inconstante. Por certo cairão noites penosas sobre um homem desse – quando estiver cansado e encontrar fechadas as portas da cidade, que lhe deveria dar repouso. Pode ser, ainda mais, que o deserto chegue até a elas, como no Oriente, e as feras ululem, ora perto, ora longe, e um vento forte se eleve, e os salteadores lhe roubem os animais de carga. Desce então uma noite terrível, como um segundo deserto no deserto, e o Peregrino se sentirá exausto no coração. Quando o sol levantar, abrasando como a divindade da ira, abre-se a cidade, e nas faces dos habitantes ele verá talvez mais deserto, mais sujeira, mais embuste e mais insegurança do que fora de portas – e o dia será quase pior que a noite. Isto pode, na verdade, ocorrer a um Peregrino; mas depois virão, como recompensa, manhãs deleitosas, noutra paragem e noutro dia, onde, através do dilúculo, verá bandos de musas bailarem perto, na névoa das montanhas; onde, em seguida, quando passear à sombra das árvores, na serenidade da manhã, cair-lhe-ão, dentre os ramos e a folhagem, coisas boas e claras, dádivas dos espíritos livres, que se acomodam bem, como ele, nos montes, florestas e solidões, e são, como ele, de maneira ora alegre, ora pensativa, peregrinos e filósofos. Oriundos do mistério da madrugada, pensam no que pode fazer tão pura, luminosa, jovialmente transfigurada a fisionomia do dia entre a décima e a décima segunda pancada do sino: andam a buscar a Filosofia da Manhã.”
Nietzche
Categorias: Citação

“A moda moral de uma sociedade mercantil — Por trás do princípio básico da atual moral: ‘ações morais são as ações da simpatia pelos outros’, vejo agir o impulso social da temerosidade, que assim se mascara intelectualmente; esse impulso deseja, como a coisa suprema e mais importante, que seja tirada da vida toda periculosidade que ela já tinha, e que todos ajudem a fazê-lo com todas as forças: por isso, apenas as ações que tem em mira a segurança comum e o sentimento de segurança da comunidade merecem o predicado de ‘bom’! — Como devem ter pouca alegria consigo os homens de hoje, se uma tal tirania do temor lhes prescreve a lei moral suprema, se permitem, sem objeção, que lhes seja ordenado não olhar para si, mas ter olhos de lince para toda miséria, todo sofrimento de outra parte! Não estaremos, com esse descomunal propósito de limar todas as arestas e asperezas da vida, a ponto de transformar a humanidade em areia? Areia! Pequena, redonda, tenra, infinita areia! É este o seu ideal, arautos das afecções simpáticas? — Enquanto isso, fica sem resposta a questão de saber se somos mais úteis ao outro indo a seu encontro e ajudando-o — o que pode suceder de modo apenas superficial, quando não é uma interferência e remodelação tirânica –, ou fazendo de si mesmo algo que o outro vê com deleite, como um belo, tranqüilo jardim fechado, que tem muros altos para as tempestades e a poeira da estrada, mas também um portão hospitaleiro.”
Aurora, aforismo 174, Nietzsche

Achei, por acaso, uma tradução do artigo The oil we eat: Following the food chain back to Iraq de Richard Manning, autor do livro Against The Grain: How Agriculture Has Hijacked Civilization, muito interessante nas suas análises sobre o balanço energético mundial. Veja um trecho abaixo:
Os comedores de verduras, especialmente os vegetarianos, advogam comerem da parte baixa da cadeia alimentar, uma simples questão de fluxo de energia. Comer uma cenoura dá àquele que a ingere toda a energia da cenoura, mas alimentar uma galinha com cenouras e então comer a galinha reduz a energia num factor de dez. A galinha desperdiça alguma energia, armazena alguma como penas, ossos e outras coisas incomestíveis, e utiliza a maior parte dela apenas para viver o tempo suficiente até ser comida. Como uma regra prática, aquele factor de dez aplica-se a cada nível da cadeia alimentar, razão porque alguns peixes, tal como o atum, podem ser um horror nisto tudo. O atum é um predador secundário, significando isto que não só não come plantas como come outros peixes que eles próprios comem outros peixes, acrescentando um zero ao multiplicador a cada passo, facilmente uma centena de vezes, mais provavelmente um milhar de vezes menos eficiente do que comer uma planta.
Isto está muito bem na medida em que funcionar, mas o caso dos vegetarianos pode ser decomposto em alguns pormenores. Em questões de moral, os vegetarianos afirmam que os seus hábitos são mais benévolos para com os animais, embora seja difícil ver como exterminar 99 por cento do habitat da vida selvagem, como a agricultura fez no Iowa, seja benévolo. No Michigan rural, por exemplo, os cultivadores de batatas têm uma táctica peculiar para tratar dos cervos predadores. Eles dão-lhes tiros na barriga com rifles de pequeno calibre, na esperança de que os cervos se arrastem para as florestas e morram num lugar onde não empestem os campos de batatas.
Fonte: O petróleo que comemos
Categorias: Citação