O pensamento chinês e o seu entrelaçamento com os estilos de arte marcial sempre me intrigou. No livro do Crompton há até um trecho em que um erudito chinês fica espantado com o fato de um artista marcial que ele conheceu ter tanta cultura. Artes como a caligrafia adestram o pulso para a esgrima e exercícios repetitivos até limites muito além do que é normal para a paciência ocidental preparam para a excelência no combate. Com os livros que comprei espero aumentar a minha compreensão desse entrelaçamento em meu próprio proveito no aprendizado do Tai Ji e de uma introdução ao Ba Gua Zhang. Li recentemente o livro História da China, de John King, e, apesar do enfoque histórico ser muito interessante eu tendo a preferir abordagens mais filosóficas. As artes na China tem sempre um caráter de integração entre a teoria e a prática que me agrada. Anne Cheng cita que uma das maiores preocupações de Confúncio versava sobre que o discurso nunca deveria exceder o que era necessário para a ação.
Hoje terminei o Workshop de Lian Gong 18 Terapias e que integra o curso de instrutor de Chen Tai Chi do Professor Estevam (da ABEC). Foram dois dias no Uuatá (Clube do Marapendi, Barra da Tijuca) com a professora Denise.
Fui ao Jardim Botânico no sábado pela manhã para a aula experimental de Chen Tai Chi Chuan com o grupo da ABEC (Estevam e outros). As aulas acontecem perto da estátua de Ossanha (orixá). As coordenadas são 22°58′3″S 43°13′44″W. Iane só vai poder ir no sábado que vem se não formos para o seminário de Tai Chi.
Há muitos anos fui assistir o filme ‘Cordão de Ouro’ em Aracaju. De toda a brigalhada no estilo dos filmes de arte marciais orientais o que mais me atraiu no filme foi um duelo. O duelo era um jogo de capoeira entre o protagonista do filme (Nestor Capoeira) e um orixá. O orixá era Ogun. Mas o intérprete do orixá não era menos que o legendário Camisinha (Mestre Camisa, com mais cabelo na época). O jogo dele é primoroso e bota no chinelo os acrobatas desvairados da capoeira atual. Nada é supérfluo no seu jogo. Adorei poder ver de novo essa cena no vídeo abaixo:
Hoje fomos até o Jardim de Alá para iniciarmos as aulas de Tai Chi Chuan. Já tinhamos ido antes mas só agora estamos nos comprometendo. O programa é da prefeitura mas está suspenso. O grupo que lá fazia resolveu continuar por conta própria. O estilo é o Yang, que já praticamos há algum tempo antes de mudarmos para o estilo Chen.
O final das minhas férias, em março, foi bem agitado. Fui a um seminário de Tai Chi Chuan, viajei para Barra Grande e velejei no Saco.
No seminário de Tai Chi Chuan foi inaugurada a seção do Brasil (em Salvador) do estilo Chen. Aprendemos a primeira parte da forma Lao Jia Yi Lu do estilo Chen.
Depois fui para Barra Grande (da península de Maraú) com Mateus e Ana. O lugar estava bem calmo por estarmos fora da estação turística. Ficamos na Pousada Meu Sossego (nome adequado para a época em que fomos). Andei de canoa havaiana por uns 2 km, até bem perto da Ilha da Pedra Furada, a partir do cais. Fomos em bicicletas alugadas até o Bar das Meninas, onde ficam as piscinas naturais. A minha bicicleta quebrou e foi abandonada em um restaurante no meio do caminho. A maré ainda não estava boa para o mergulho. Fizemos também um passeio de barco pelas ilhas.
Na volta fui velejar no Saco. Acampei na Ponta do Saco. Velejei somente uma vez quando almocei em Mangue Seco. No outro dia de manhã voltei correndo para Aracaju pois me machuquei nas ostras.
Amanhã eu e Iane vamos para Salvador para o Seminário de Tai Chi Chuan. No domingo voltamos para Aracaju e eu, Mateus e Ana vamos passar uma semana em Barra Grande, na Bahia.