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Solidão amiga

Dezembro 15, 2007 · 1 Comentário

A solidão amiga

A noite chegou, o trabalho acabou, é hora de voltar para casa. Lar, doce lar? Mas a casa está escura, a televisão apagada e tudo é silêncio. Ninguém para abrir a porta, ninguém à espera. Você está só. Vem a tristeza da solidão… O que mais você deseja é não estar em solidão… (Rubem Alves)

“Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência. A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência, essa ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.!” (Drummond apud Rubem Alves)

“Ó solidão! Solidão, meu lar!… Tua voz – ela me fala com ternura e felicidade! Não discutimos, não queixamos e muitas vezes caminhamos juntos através de portas abertas. Pois onde quer que estás, ali as coisas são abertas e luminosas. E até mesmo as horas caminham com pés saltitantes.

Ali as palavras e os tempos
poemas de todo o ser se abrem diante de mim. Ali todo ser deseja transformar-se em palavra, e toda mudança pede para aprender de mim a falar.“ (Nietzsche
apud Rubem Alves)

O primeiro filósofo que li, o dinamarquês Soeren Kiekeggard, um solitário que me faz companhia até hoje, observou que o início da infelicidade humana se encontra na comparação. Experimentei isso em minha própria carne. Foi quando eu, menino caipira de uma cidadezinha do interior de Minas, me mudei para o Rio de Janeiro, que conheci a infelicidade. Comparei-me com eles: cariocas, espertos, bem falantes, ricos. Eu diferente, sotaque ridículo, gaguejando de vergonha, pobre: entre eles eu não passava de um patinho feio que os outros se compraziam em bicar. Nunca fui convidado a ir à casa de qualquer um deles. Nunca convidei nenhum deles a ir à minha casa. Eu não me atreveria. Conheci, então, a solidão. A solidão de ser diferente. E sofri muito. E nem sequer me atrevi a compartilhar com meus pais esse meu sofrimento. Seria inútil. Eles não compreenderiam. E mesmo que compreendessem, eles nada podiam fazer. Assim, tive de sofrer a minha solidão duas vezes sozinho. Mas foi nela que se formou aquele que sou hoje. As caminhadas pelo deserto me fizeram forte. Aprendi a cuidar de mim mesmo. E aprendi a buscar as coisas que, para mim, solitário, faziam sentido. Como, por exemplo, a música clássica, a beleza que torna alegre a minha solidão… (Rubem Alves)

Para aplacar a minha solidão neste fim de semana inventei atividades. Na sexta falei com o pessoal em Aracaju pelo Skype.

Iasmin ficou tão emocionada que ensaiou um choro. À noite fiquei na sala, junto à televisão, TV soporífera que me socorreu na madrugada de sábado com um filme, ‘Mentiras sinceras’, em que dormi no meio.

Mentiras sinceras

De manhã dormi a bessa. Acordei perto da 10 h. O tempo esquentou e o sol saiu. Arrependi-me de não ter programado uma velejada. Talvez ainda haja tempo. Saí para fazer umas pequenas compras para enfrentar a semana vindoura. Planejei almoçar no restaurante La Rouge e passar na locadora de vídeo que fica perto. Acabei almoçando um crepe na livraria Argumento aqui perto mesmo. Descobri depois que o La Rouge foi substituído (pelo menos no endereço que procurei) por um Devassa. Pode ter acabado ou se mudado.

Peguei três filmes para ver até terça:

Caché

Caché

Dias de Nietzsche em Turim

O ilusionista

Se conseguir marcar o aluguel do Dingue para amanhã preciso ver também se haverá um ‘proeiro’. Estou tentando, de última hora, com a Ocean Blue.

Acabo de receber a confirmação do aluguel do Dingue para amanhã, 11 h.

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1 resposta so far ↓

  • chicoary // Dezembro 20, 2007 às 10:37 pm

    Dos três filmes que peguei para assistir gostei mais de ‘O ilusionista’ que achei muito bom. Em segundo lugar de ‘Caché’ que achei regular. Não consegui ver direito ‘Dias de Nietzsche em Turim’, do Bressane. Achei muito monótono e não consegui me concentrar nele. Talvez numa outra tentativa e sem a pressa de entregar em devolução à locadora (Deixei ele para assistir por último).

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