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Jardins de Rama

Setembro 23, 2007 · Nenhum Comentário

Quando estava lendo as descrições do ambiente no interior do artefato cilíndrico em ‘Encontro com Rama’, de Clarke, um pensamento parecido com o que encontrei num texto de Rubem Alves me acometeu:

Sonho com um jardim. Todos sonham com um jardim. Em cada corpo, um Paraíso que espera… Nada me horroriza mais que os filmes de ficção científica onde a vida acontece em meio aos metais, à eletrônica, nas naves espaciais que navegam pelos espaços siderais vazios… E fico a me perguntar sobre a perturbação que levou aqueles homens a abandonar as florestas, as fontes, os campos, as praias, as montanhas… Com certeza um demônio qualquer fez com que se esquecessem dos sonhos fundamentais da humanidade. Com certeza seu mundo interior ficou também metálico, eletrônico, sideral e vazio… E com isto, a esperança do Paraíso se perdeu. Pois, como o disse o místico medieval Angelus Silésius:

Se, no teu centro
um Paraíso não puderes encontrar,
não existe chance alguma de, algum dia,
nele entrar.”

Em http://www.rubemalves.com.br/jardim.htm

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Ida à Bienal do Livro

Setembro 23, 2007 · Nenhum Comentário

Resolvemos todos ir à Bienal, no Riocentro. Foi muito cansativa e demorada a viagem de ônibus para lá. Iasmin dormiu um pouco no trajeto. Voltamos de frescão e pregados. Na Bienal, com Iasmin quase o tempo todo no colo, ficou impossível flanar pelos estandes como planejava. Como chegamos perto de 13h comemos logo uma pizza a guisa de almoço. Compramos uns livrinhos infantis para Iasmin. Eu e Natacha compramos dois livros. O dela sobre microbiologia. O meu sobre Espinosa (A Vida e o Espírito de Baruch de Espinosa). Na contracapa do livro sobre Espinosa há um texto que não sei se do mesmo ou do autor anônimo que escreveu o livro. Já o tinha visto quando folheei o livro pela primeira vez numa livraria no centro da cidade. O texto é o seguinte:

Ainda que importe a todos os homens conhecer a verdade, todavia pouquíssimos a conhecem, porque a maioria deles se crê incapaz de procurá-la por si mesmos, ou não que se dar ao trabalho de fazê-lo. Assim, não admira que o mundo esteja repleto de opiniões vãs e ridículas, nada sendo mais capaz de lhes dar curso do que a ignorância. De fato, é ela a única fonte das falsas idéias que se têm da divindade, da alma, dos espíritos e de quase todos os erros que dela derivam. É um uso que prevaleceu, contentar-se com os prejulgamentos que se carregam desde o nascimento, e consultar pessoas pagas para sustentar opiniões recebidas e, por conseguinte, interessadas a convencer o povo a respeito delas, sejam verdadeiras ou falsas. [...] Se o povo pudesse compreender em qual abismo a ignorância o arremessa, sacudiria logo o jugo dessas almas venais, que, para seu interesse particular, o mantém nessa ignorância.

O espírito do senhor Baruch de Espinosa

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