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Poliglota

Julho 15, 2007 · 3 Comentários

Estava deitado na sala numa lombeira de dar gosto. Minha neta que brincava perto agarrou com força meu dedo mindinho querendo me conduzir não sei para onde. Falava as coisas incompreensíveis de costume lá na sua língua. Resisti. Se cedesse seria um não acabar mais de dedos mindinhos espremidos na frente de um zumbi obediente à mais nova tirana do pedaço. Confesso que fiquei um pouco receoso de perder alguma coisa interessante que esse passeio inusitado podia prometer. Podia no mínimo ser jocoso antes de talvez ser um poço de descobertas. Pensando no que havia na sala não me convenci. Talvez se conseguisse compreender as suas intenções… Mas a barreira da língua foi pior do que entre os terráqueos e os marcianos do filme Marte Ataca. O ¨viemos em paz’ não me encorajou. Fico pensando que a minha querida netinha, que muitas alegrias me traz principalmente com sua algaravia compenetrada e convicente sempre a comunicar seus desejos como se nós fôssemos poliglotas, como desconfio que ela é, fica muito prejudicada em atingir um grau de comunicação mais a seu gosto e usufruir das vantagens decorrentes. Menos na língua materna de seus avós que deve estar deixando para depois. Um luxo incompreensível ao meu ver: não seria mais interessante se entender bem conosco? Quantas vantagens não teria? Correríamos a obedecer aos seus comando como cachorrinhos contentes a babar com nossas línguas de fora. Mas não! Queria a sofisticação de falar a língua dos estranhos! Desconfiei da sua poliglotice (ai meu deus o que minha neta me faz escrever) quando via um podcast em que eu quase não entendia nada do que o orador dizia e ela, compenetrada, nem piscava. Batata! Ela é poliglota em outras línguas.

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